HISTÓRICO

1958 a 1970

 

As atividades do Coral da Universidade Federal do Ceará tiveram início no segundo semestre de 1958, três anos após a fundação da própria Universidade. Conhecido como Madrigal da Universidade do Ceará foi fundado pelo professor Orlando Vieira Leite. O "recital de batismo" aconteceu em abril de 1959, na cidade de Sobral, no estado do Ceará, quando o grupo foi convidado para participar das bodas de prata do Colégio Santana interpretando uma missa de Giovanni Pierluigi da Palestrina e músicas brasileiras. As exibições do Madrigal da Universidade do Ceará eram constantes em eventos comemorativos da cidade, ao mesmo tempo que realizava projetos mais direcionados à universidade como recitais para alunos e professores nas diversas faculdades e centros da instituição. Em julho de 1964, o grupo percorreu várias cidades brasileiras do sul do país realizando apresentações e recitais em rádios, teatros e televisões, divulgando a cultura nordestina e brasileira de canto coral. Em setembro de 1965, a convite do Palácio do Itamarati e do Ministério das Relações Exteriores do Governo Brasileiro, o Madrigal da Universidade do Ceará representou o Brasil no II Encontro de Corais das Américas nas cidades de Vinã del Mar e Valparaiso - Chile. Com o lema, "Cantar sempre mais, para um público cada vez maior" o Madrigal participou de diversos encontros de corais no Norte e Nordeste do país.

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1973 a 1980

 

A partir de 1973 o grupo passou a ser conhecido como Coral da Universidade Federal do Ceará sendo conduzido pela professora Katie de Albuquerque Lage que fez a reestreia do grupo na solenidade de colação de grau no dia 20 de dezembro de 1973. Com uma concepção diferente do anterior Madrigal, o Coral da Universidade Federal do Ceará previa dois terços de sua composição com estudantes da própria universidade. Realizou diversas apresentações na cidade, em eventos, solenidades universitárias e para o Centro de Cultura Germânica da UFC, o qual se tornou um forte aliado no incentivo e promoção das atividades do grupo. Em novembro de 1977, através do intercâmbio entre UFC e Instituto Goeth, o Coral da UFC realizou um concerto no Teatro Municipal José de Alencar, em Fortaleza, com a Orquestra Estudantil do Collegium Musicum de Bonn. O trabalho de Katie Lage à frente do Coral da UFC não se resumia apenas em apresentações musicais, mas também incentivava a educação musical dos seus componentes e promovia cursos de musicalização para a comunidade. 

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1981 a 1989

 

Em 1981, a professora Maria Izaíra Silvino Moraes assumiu a regência do Coral da UFC. A partir de então o grupo começou um trabalho de aproximação da atividade de canto coral com a cultura popular. Em maio de 1981 realizou o primeiro recital do grupo sob seu comando, tendo no repertório, músicas do folclore Caririense, canções de compositores cearenses e brasileiros. A proposta do grupo era atingir um canto universal, partindo do regional. Para tanto, Izaíra Silvino introduziu diversas modificações quanto ao repertório, postura cênica do grupo e atitudes vocais e corporais dos cantores. A orientação vocal ficou sob a responsabilidade da professora Leilah Carvalho Costa (professora da UFC e ex-integrante do Madrigal da UC) e muitos novos arranjos de música popular brasileira foram elaborados, especialmente para o Coral, pelo professor Tarcísio José de Lima. Os recitais apresentados pelo Coral da UFC não mais seguiam os modelos convencionais transformando-se em grandes espetáculos musicais com um nome próprio sobre um tema elaborado, na maioria das vezes, a partir de questões sociais e regionais. Além das temporadas de recitais e espetáculos, o Coral buscou dar continuidade a algumas atividades implantadas pelos regentes anteriores, como os ciclos de apresentações na própria universidade. Outra grande iniciativa criada através do Coral da UFC, foi a atividade chamada "Projeto de Multiplicação de Corais" que consistia em encontros e reuniões semanais com os coralistas que desejassem iniciar alguma atividade de canto em alguma escola da cidade. Em 1988, o Coral da UFC representou o Ceará no XII Concurso Nacional de Corais do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, ficando entre os dez finalistas do evento. A concepção de coro desenvolvida por Izaíra Silvino no Coral da UFC, tanto na forma como no conteúdo, acabaria por inserir na atividade coral em Fortaleza uma discussão sobre o papel social do coro e do regente enquanto educador.

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1992 a 1995

 

Em 1992, através de um programa de ampliação das atividades artísticas na Faculdade de Educação, o professor Francisco José Colares de Paula, assumiu a regência do Coral da UFC. O grupo fez sua reestréia em maio de 1992 em um recital para o Reitor em exercício, no salão de convivência da reitoria. Durante todo o período em que esteve sob a regência do professor José Colares, o Coral da UFC realizou diversas apresentações para a própria universidade e para a comunidade de Fortaleza. Participou de vários encontros de corais na cidade e anualmente cumpriu um calendário de apresentações natalinas em instituições beneficentes.

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1999...

 

Em meados da década de 1990, a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Ceará, através da Coordenação de Atividades Culturais implementa, como projeto de extensão, um curso de formação musical com o objetivo de institucionalizar as atividades musicais que estavam sendo desenvolvidas na universidade, principalmente a atividade coral, que na época contava com 9 grupos corais em pleno funcionamento ligados diretamente a UFC, dentre eles o próprio Coral da UFC. Foi então criado o Curso de Extensão em Música (CEM) que possuía metade de sua integralização curricular composta de disciplinas práticas, dentre elas a "Prática Coral". Em 1999, após 4 anos de atividades, o CEM passou por uma reformulação curricular e as disciplinas "Prática Coral" e "Regência" ficaram sob a responsabilidade dos professores Erwin Schrader e Elvis de Azevedo Matos, que sentindo a necessidade de ter um grupo coral atuante na comunidade e que representasse a produção artística dos alunos do CEM, assumiram a direção do Coral da Universidade Federal do Ceará, estabelecendo um vínculo direto entre o aprender e o fazer artístico. A primeira apresentação sob a regência dos novos regentes aconteceu em junho de 1999, no Encontro de Corais do IBEU - Centro.

 

Atualmente, o Coral da UFC, sob a regência do Prof. Dr. Erwin Schrader, está vinculado à Secretaria de Cultura Artística da UFC e ao Curso de Música – Licenciatura do Instituto de Cultura e Arte/UFC. O grupo conta ainda com a colaboração do Prof. Dr. Gerardo Viana Junior (orientação vocal) e do Prof. Dr. Elvis de Azevedo Matos que atua também como diretor artístico, arranjador e regente assistente

Os Espetáculos

 

Desde o início dos anos de 1980, o grupo dedicou-se à pesquisa e construção do repertório brasileiro explorando as possibilidades do espaço teatral através da montagem de espetáculos. Foram eles:

 

 

Desde sua criação, o Coral da UFC tem sido uma referência internacional para o canto coral brasileiro. Esta reputação se consolidou recentemente através dos espetáculos, “Borandá Brasil” e “Gonzagas”, que tiveram grande repercussão fora do país, através de intercâmbios de canto coral estabelecidos com grupos europeus em 2005 e 2007. Foram realizadas apresentações em teatros em cidades da Polônia (Varsóvia e Szczecin), Alemanha (Bremen, Hamburgo, Colônia e Neulingen) e França (Paris e Aurillac). Recentemente, em 2011, o intercâmbio aconteceu com grupos corais universitários australianos, proporcionando a realização de apresentações em teatros e centros culturais das cidades de Melbourne, Adelaide, Camberra e Sidney. 

Missão

 

Sendo um grupo musical sem fins lucrativos, o Coral da UFC promove o desenvolvimento de jovens universitários, trabalhadores e pessoas da comunidade, acreditando ser a educação musical uma das competências fundamentais na consolidação de valores humanos e de novas idéias de recriação do mundo.

 

Os processos de formação musical na realidade brasileira ainda estão circunscritos a uma parcela reduzida da população. Não nos referimos aqui àquela formação protagonizada pela Indústria Cultural que, certamente, define gostos e forma platéias para seus produtos. Entendemos formação musical como um processo de aquisição da capacidade de fruir e pensar música, capacidade esta que deve ser cada vez mais colocada ao alcance das camadas economicamente menos favorecidas da sociedade brasileira.

 

O Coral da Universidade Federal do Ceará, comprometido com a difusão do conhecimento musical e partindo do pressuposto que a lógica individualista predominante nos dias atuais precisa ser superada busca:

 

a) Desenvolver aspectos que expandam as possibilidades de expressão (vocal e corporal) de seus integrantes

b) Formar novos líderes (regentes e preparadores vocais) para a cena musical cearense.

c) Ampliar o público para apresentações e espetáculos de música vocal.

 

Para conseguir suas metas o Coral da UFC estimula seus participantes a construir juntos, um espetáculo de canto coral que recorre a outras linguagens artísticas que podem ser albergadas em um espaço teatral. No cotidiano de preparação deste espetáculo discute-se a temática, o repertório, os cenários, os figurinos e os adereços, bem como se elabora interlocuções corporais e teatrais. O envolvimento intenso de todos os participantes no processo de construção dos espetáculos configura o processo formativo-musical, meta principal da opção pedagógica do grupo.

 

A montagem de um espetáculo coral com um grupo de 37 cantores e cantoras que em cena encenam algo coletivamente construído proporciona a vivência solidária essencial e, nas temporadas de apresentações que os espetáculos cumprem, tal experiência logra alcançar um grande público que passa também, a partir do momento em que a assiste o espetáculo, a fazer parte do processo formativo que justifica todo o trabalho.

 

Em um estado como o Ceará, no qual não há uma tradição musical-escolar arraigada, existe um fértil terreno para a experimentação de novas possibilidades expressivas e, conseqüentemente, educativo-musicais. O Coral da UFC, neste ambiente, tenta não apenas alcançar o produto estético (o espetáculo), mas busca refletir sobre o mesmo, na intenção de contribuir para a sistematização de conhecimentos que coloquem o fazer artístico no centro dos processos de formação humana, enfatizando o caráter coletivo e cooperativo inerente à prática do canto coral.